A Alegria na Tristeza
A Alegria na Tristeza...
O poema diz que a gente pode
entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza
pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou
de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la,
porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda
conseguirmos senti-la.
Pode parecer confuso mas é um alento.
Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de
trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas
estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que
possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de
sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não
consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta
coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.
Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo,
mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma
melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do
fazer, que é conjugado pra fora.
Sentir alimenta, sentir ensina, sentir
aquieta. Fazer é muito barulhento.
Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O
sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são
necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites,
aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.
Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no
mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza
parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok,
tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo
providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos
botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo
também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir
nada.
O título desse texto na verdade não é
meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se
"Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese
paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.
Ler mais eu e meu medo: A Alegria na
Tristeza - Crônica de Martha Medeiros
http://euemeumedo.blogspot.com/2011/04/alegria-na-tristeza-cronica-de-martha.html#ixzz2OgxWABiS
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