Solilóquio
Solilóquio Solilóquio Talvez os imensos limites da pátria me lembrem os puros E amargue em meu coração a descrença. Sinto-me tão cansado de sofrer, tão cansado! – algum dia, em alguma parte Hei de lançar também as âncoras das promessas Mas no meu coração intranqüilo não há senão fome e sede De lembranças inexistentes. O que resta da grande paisagem de pensamentos vividos Dize, minha alma, senão o vazio? São verdades as lágrimas, os estremecimentos, os tédios longos As caminhadas infinitas no oco da eterna voz que te obriga? E no entanto o que crê em ti não tem o teu amor aprisionado Escravo de fruições efêmeras... Ah, será para sempre assim... o beijo pouco do tempo Na face presa da eternidade E em todos os momentos a sensação pobre de estar vivendo E ter em si somente o que não pode ser vivido E em todos os momentos a beleza, e apenas Num só momento a prece... Nunca me sorri...